Continuação

Essa missão, para ser desenvolvida com carisma e continuidade, deve ser assumida por pessoas consagradas, considerando-se que “as obras de Deus se edificam mediante as pessoas que são de Deus”. Desse modo, a 20 de agosto de 1914, enquanto em Roma morria o sumo pontífice Pio X, em Alba o padre Alberione dava início à “Família Paulina” com a fundação da Pia Sociedade São Paulo. O começo é marcado pela extrema pobreza, em conformidade com a pedagogia divina: “iniciar sempre no presépio”. 
O padre Alberione se inspira na família humana constituída de irmãos e irmãs. A primeira mulher a seguir o padre Alberione é uma jovem de vinte anos, de Castagnito: Teresa Merlo. Com o apoio dela, Alberione dá início à congregação das Filhas de São Paulo (1915). Pouco a pouco, a “Família” cresce, as vocações masculinas e femininas aumentam, o apostolado toma impulso e assume forma própria. 
Em dezembro de 1918 registra-se o primeiro envio das “filhas” para Susa: inicia-se uma história muito corajosa de fé e empreendimento, que gera também um estilo característico, denominado “estilo paulino”. A trajetória parece sofrer uma solução de continuidade em 1923, quando o padre Alberione adoece gravemente e o diagnóstico médico sugere um quadro de poucas esperanças. Mas o Fundador, milagrosamente, retoma o caminho: “Foi São Paulo quem me curou”, dirá em seguida. A partir desse período, aparece nas capelas paulinas a inscrição que em sonho ou revelação o Divino Mestre dirige ao Fundador: Não temam — Eu estou com vocês — Daqui quero iluminar — Arrependam-se dos pecados. 
No ano seguinte vem à luz a segunda congregação feminina: as Pias Discípulas do Divino Mestre, para o apostolado eucarístico, sacerdotal e litúrgico. Para orientá-las na nova vocação, Padre Alberione chama a jovem Irmã M. Escolástica Rivata, que morrerá nonagenária, em odor de santidade. 
No âmbito apostólico, o Padre Alberione promove a imprensa com edições populares dos Livros Sagrados e aponta para as formas mais rápidas de levar longe a mensagem de Cristo: os periódicos. Em 1912 já havia sido lançada a revista Vita pastorale endereçada aos párocos; em 1931 surge a Família Cristã, revista semanal para alimentar a vida cristã das famílias. Seguirão ainda: La Madre di Dio (1933), “para desvendar as belezas e grandezas de Maria”; Pastor Bonus (1937), revista mensal em língua latina; Via, Veritá e Vita (1952); revista mensal para o ensino da doutrina cristã; La Vita in Cristo e nella Chiesa (1952), com o objetivo de “divulgar” os tesouros da liturgia, difundir tudo o que for relativo à liturgia, viver a liturgia segundo a Igreja”. O Padre Alberione também pensa nas crianças, para as quais publica Il Giornalino
Põe também mãos à obra para a construção do templo de São Paulo em Alba. Virão depois os dois templos a Jesus Mestre (em Alba e em Roma) e o santuário à Rainha dos Apóstolos (em Roma). O intuito é sair dos limites locais e das fronteiras nacionais. Em 1926 abre-se a primeira Casa filial em Roma, seguida nos anos posteriores por muitas fundações na Itália e em outros países. 
Ao mesmo tempo cresce o edifício espiritual: o Fundador inculca o espírito de dedicação mediante “devoções” de grande peso apostólico: a Jesus Mestre e Pastor “Caminho, Verdade e Vida”; a Maria Mãe, Mestra e Rainha dos Apóstolos; a São Paulo Apóstolo. É exatamente a referência ao Apóstolo que caracteriza na Igreja as novas instituições como “Família Paulina”. A meta a ser assumida como desafio primordial é a conformidade plena com Cristo: abraçar o Cristo Caminho, Verdade e Vida, em toda a pessoa, mente, vontade, coração e forças físicas. Diretriz sintetizada em pequeno volume: Donec formetur Christus in vobis (1932). 
Em outubro de 1938, Padre Alberione funda a terceira congregação feminina: as Irmãs de Jesus Bom Pastor ou “Pastorinhas”, que se dedicam ao apostolado pastoral nas paróquias. 

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