Continuação
Durante a paralisação forçada pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945), o Fundador não se detém na sua jornada espiritual. Vai dando acolhida cada vez mais efetiva à luz de Deus em clima de adoração e contemplação. São testemunhos os Taccuini (cadernos de apontamentos) espirituais, em que padre Alberione anota as inspirações com os meios para dar resposta ao plano de Deus. É nesse clima espiritual que começam as meditações que ele a cada dia faz para os filhos e filhas, as diretrizes para o apostolado, a pregação de numerosos retiros espirituais (sintetizados em pequenos volumes). O desvelo do Fundador é sempre o mesmo: todos entendam que “o primeiro cuidado da Família Paulina deve ser a santidade de vida, e segundo a pureza de doutrina”. Sob essa luz se deve entender o seu projeto de uma enciclopédia sobre Jesus Mestre (1959).
Em 1954, recordando os 40 anos de fundação, o padre Alberione consentiu pela primeira vez que se escrevesse a respeito dele no volume Mi protendo in avanti (Lanço-me para frente) e cedeu à solicitação de publicar alguns dos seus apontamentos sobre as origens da fundação. Surgiu, então, o pequeno volume Abundantes divitiae gratiae suae (Abundantes riquezas da sua graça), considerado como a “história carismática da Família Paulina”. Família que se foi completando entre 1957 e 1960, com a fundação da quarta congregação feminina, o Instituto Rainha dos Apóstolos para as Vocações (Irmãs Apostolinas) e dos Institutos de vida secular consagrada: São Gabriel Arcanjo, Nossa Senhora da Anunciação, Jesus Sacerdote e Santa Família. Dez Instituições (inclusive os Cooperadores Paulinos) unidas pelo mesmo ideal de santidade e apostolado: o anúncio de Cristo Caminho, Verdade e Vida ao mundo, mediante os instrumentos da comunicação social.
De 1962 a 1965, o Padre Alberione é protagonista silencioso mas atento do Concílio Vaticano II, de cujas sessões participa diariamente. Nesse meio tempo, não faltam tribulações e sofrimentos: a morte prematura dos seus primeiros colaboradores, Timóteo Giaccardo e Tecla Merlo; a preocupação constante com as comunidades do exterior em dificuldade e, pessoalmente, uma crucificante escoliose, que o incomoda dia e noite.
Padre Alberione viveu 87 anos. Executou a obra que Deus lhe confiou. A 26 de novembro de 1971 deixou a terra para assumir o seu lugar na Casa do Pai. Suas últimas horas tiveram o conforto da visita e bênção do papa Paulo VI, que jamais ocultou sua admiração e veneração pelo Padre Alberione. É sempre comovente o testemunho que deu na Audiência concedida à Família Paulina em 28 de junho de 1969, tendo o Fundador 85 anos: “Aí está ele: humilde, silencioso, incansável, sempre vigilante, sempre entretido com os seus pensamentos, que se mobilizam entre a oração e a ação, sempre atento para perscrutar os “sinais dos tempos”, isto é, as mais geniais formas de alcançar as pessoas. O nosso Padre Alberione deu à Igreja novos instrumentos para manifestar-se, novos meios para dar vigor e amplitude ao seu apostolado, nova capacidade e nova consciência da validade e possibilidade da sua missão no mundo moderno e com os meios modernos. Permita, caro padre Alberione, que o papa goze desse longo, fiel e incansável combate e dos frutos por ele produzidos para a glória de Deus e para o bem da Igreja”.
Em 25 de junho de 1996 o papa João Paulo II assinou o decreto por meio do qual eram reconhecidas as virtudes heróicas do padre Alberione. Sua beatificação ocorreu no dia 27 de abril de 2003 na Praça de São Pedro, em Roma.